Mais do que falar, precisamos escutar!
No processo educativo, a relação família-escola é essencial.
Infelizmente, percebo que muitas instituições não dão, aos pais, a importância que realmente merecem.
Inicialmente, saliento a frequência do contato: alguns pais passam um ano letivo sem receber qualquer informação sobre o andamento dos estudos de seus filhos. Ou, se recebem escutam lamentos e reclamações. Onde fica o “positivismo pedagógico”? Onde fica a valorização dos acertos? Quantas vezes, neste bi/trimestre ligamos para pais e elogiamos alguma atividade de seus filhos?
Outro item o qual observo é o tipo de diálogo oferecido. Na minha vivência, tive contato com professores que, sem prévia comunicação à escola entraram em contato direto com pais, fora de reuniões determinadas para tratar de assuntos delicados. Conversaram na entrada ou na saída dos períodos, rapidamente, tentando, em minutos, resolver questões que precisavam de cuidado e atenção. Com atitude assim, corre-se o risco da exposição, na frente de outras pessoas, de detalhes que deveriam ser mais sigilosos. Devemos ter cuidado!
Lembro: toda comunicação, para ser bem feita precisa de planejamento e seriedade. Além disto, alguns diálogos tornam-se monólogos, pois só o profissional fala e, os pais só escutam. Todo bom educador ouve, direcionando a conversa e permitindo a exposição de idéias, as explicações e as possíveis observações feitas sobre o aluno, as aulas e a escola. Mais do que falar, precisamos escutar! Oriento meus coordenadores e colaboradores a estarem sempre à disposição dos pais, com registros coerentes sobre a vida escolar dos educandos. Ter o hábito de conversar com a equipe e colher dados sobre os alunos e as salas é de grande valia, principalmente na busca e investigação de fatos positivos que possam ser expostos, valorizando cada um.
Por questões do dia-a-dia, há épocas nas quais estamos envolvidos em reuniões intermináveis, com agendas lotadas e com problemas “sem fim”, mas saliento que é nosso papel educacional, de qualquer nível escolar, estarmos à disposição da família no momento em que somos procurados, dentro de nosso horário de trabalho, objetivando a organização e a eficácia da nossa prática.
Finalizo lembrando que nós, pedagogos, devemos simplificar o vocabulário específico de nossa ação, “traduzido” e simplificado a conversa para que haja a compreensão daqueles que não são da área pedagógica – os pais.
Nosso papel é comunicar: expor fatos e idéias de maneira clara, correta e eficaz para, assim, sermos compreendidos, mantendo um canal aberto entre a instituição e as famílias de nossos jovens!